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A revolução do conhecimento

No livro Cultura da convergência (São Paulo, Aleph, 2009), Henry Jenkys analisa as transformações ocorridas nas atividades da sociedade a partir do avanço tecnológico. Logo na capa, é possível ler a seguinte epígrafe:

As mídias tradicionais são passivas. As mídias atuais, participativas e interativas. Elas coexistem. E estão em rota de colisão. Bem-vindo à revolução do conhecimento. Bem-vindo à cultura da convergência.

Agradecemos as boas-vindas, embora já participemos dessa cultura quase que obrigatoriamente, a despeito de termos sido ou não convidados pelo autor. A internet (internacional-networking)  surgiu nos anos 1960, ainda no período da Guerra Fria, como uma estratégia norte-americana de preservar as comunicações em caso de ataque dos inimigos aos meios tradicionais.

Nas décadas de 1970 e 1980, a rede mundial de computadores passou a ser utilizada também para fins acadêmicos. É a partir de 1990 que a rede começa a se popularizar. Primeiro no Estados Unidos e, em seguida, no mundo. No Brasil, a primeira transmissão a longa distância, entre São Paulo e Rio Grande do Sul, ocorreu em 1995. Daí em diante, acelera-se o ritmo da evolução.

Em setembro de 1998, surge nos EUA uma empresa chamada Google Inc. Em 2006, aparece a primeira rede social, o Orkut, logo seguida pelo Facebook, o Twitter e outras. Havia sido dada a largada para o advento ao qual o matemático estadunidense Norbert Wiener, lá no final dos anos 1940, já chamava de sociedade da informação (Cibernética, 1948). Segundo Wiener, nessa nova sociedade que ainda ainda estaria por vir, a troca de informações deveria circular sem barreiras.

Pois bem, essa nova era chegou e está irreversivelmente estabelecida. Hoje, um único meio físico, como o aparelho celular, por exemplo, pode levar vários serviços às pessoas. E também o contrário, um único serviço pode ser oferecido por várias formas físicas diferentes: desde o ponto de venda tradicional até as mais sofisticadas formas de comércio eletrônico.

Para Jenkys (op. cit), nossa sociedade contemporânea está marcada por três características relevantes: convergência dos meios de comunicação, cultura participativa e inteligência coletiva. O que esses três conceitos significam em nossa vida prática? Melhor deixar o próprio autor explicar:

A convergência não ocorre por meio de aparelhos, por mais sofisticados que venham a ser. A convergência ocorre dentro dos cérebros de consumidores individuais e em suas interações sociais com outros. Cada um de nós constrói a própria mitologia pessoal, a partir de pedaços e fragmentos de informações extraídos do fluxo midiático e transformados em recursos através dos quais compreendemos nossa vida cotidiana (p.30).

Em outras palavras, o fluxo de conteúdos, ao circular por meio de múltiplas plataformas de mídia – convencionais e interativas -, promove a participação ativa dos indivíduos no processamento, na distribuição e interpretação das informações, o que inevitavelmente resulta em um saber construído coletivamente. Essa forma de se relacionar com o conhecimento é o que difere nossa época de todas as anteriores. A grande revolução da contemporaneidade é a democratização do saber.

A filósofa e psicóloga brasileira Viviane Mosé discute esse assunto com muita propriedade em entrevista à TV do Centro Universitário Una, de Minas Gerais (vídeo publicado no Youtube em 03 jan 2014). Deixemos a palavra com ela: