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A máquina-homem e a máquina que o homem faz

Exposições em São Paulo fazem pensar sobre a busca do homem por inspirar suas ações nos feitos da Natureza

A máquina-homem; a máquina que o homem faz: ambas adquirem status de arte em duas exposições diferentes em São Paulo. Ver as duas no mesmo dia é refletir sobre a primordial, eterna e constante necessidade do homem de se conhecer e de se reinventar.

Em Corpos – A Exposição, em cartaz até setembro de 2010 na Oca do Parque Ibirapuera, 20 corpos e 250 órgãos reais, dispostos como em um museu, dão ao visitante a clara noção de quão engenhosa é a “máquina” humana.

Os corpos, desidratados e preservados com silicone, são expostos em poses atléticas com cortes estratégicos, que deixam entrever ossos, músculos, órgãos, nervos, filamentos, cartilagens e vasos sanguíneos.

Os órgãos, à mostra em vitrines horizontais e verticais, revelam particularidades de diversos componentes vitais do organismo. Como exemplo, não há quem não se impressione com o aspecto do pulmão de um fumante em comparação com um pulmão saudável.

Há também uma seção, em cuja entrada alerta-se para a natureza impactante das “obras” expostas, na qual é possível ver fetos em diferentes estágios de formação. Nada talvez seja mais admirável do que visualizar a constituição dos ossos em criaturas com ainda poucas semanas de gestação.

Já em Emoção Art.ficial 5.0 Autonomia Cibernética  – Bienal Internacional de Arte e Tecnologia, em cartaz no instituto Itaú Cultural até 5 de setembro, é a máquina produzida pelo homem que toma conta do cenário e impressiona pela capacidade inventiva do ser humano. São onze obras produzidas a partir de artefatos tecnológicos de últimas gerações, que atuam com independência, detectam a presença dos expectadores e interagem com eles.

Um zoológico de robôs que se locomovem à energia de lâmpadas; uma plantação artificial que balança sob a influência do vento externo ao edifício; máquinas que se movimentam de forma histérica ante qualquer presença; silhuetas humanas escaneadas dos corpos dos visitantes que dançam no espaço virtual; um caracol metálico que reage aos diferentes estados emocionais dos seres humanos; amoreiras naturais que vibram ao captar os ruídos da poluição sonora; criaturas virtuais que simulam os processos evolutivos da teoria darwiniana; uma projeção robótica que responde em inglês às perguntas das pessoas; sensores que se comunicam entre si, acendem e apagam e gorjeiam como seres vivos em razão da presença dos expectadores; um robô que desenha retratos humanos a partir da observação.

Talvez o mais impressionante em Emoção Art.ficial seja uma série de robôs que se movem verticalmente ao longo de colunas, deixando rastros representativos de disparos elétricos de neurônios de ratos cultivados em um recipiente de vidro nos Estados Unidos, que repondem de acordo com a presença dos que caminham pela exposição em São Paulo.

Tudo isso aguarda o visitante no Itaú Cultural e instiga o raciocínio daqueles que, a despeito de estarem mais do que acostumados com avanços tecnológicos, se predispõem a elucubrar sobre os limites da criação humana. Ante a máquina perfeita nos dada pelo Criador, dissecada e desvendada como na exposição da Oca, o que pode a inteligência do homem?

CORPOS – A Exposição
OCA – Parque Ibirapuera
Site oficial: http://www.corpos-sp.com.br/corpos.html

Emoção Art.ficial: Bienal Internacional de Arte e Tecnologia
Instituto Itaú Cultural
Site oficial: http://www.emocaoartficial.org.br/