Arquivo da tag: herói

O mito da cosmogonia em Narradores de Javé

Bolsista curso de Jornalismo: Artur Gabriel Ferreira Guimarães.
Área de conhecimento: Ciências Humanas.
Orientador: Prof. Dr. Sérsi Bardari.

RESUMO

[INTRODUÇÃO] O filme Narradores de Javé, dirigido por Eliane Caffé, conta a história de um povoado que corre o risco ser inundado para que, no local, seja construída uma barragem. Os moradores se reúnem para discutir sobre a ameaça iminente e concordam que a única salvação seria a elaboração de um relatório científico, que elevasse o vilarejo à condição de patrimônio histórico. Segundo eles, Javé tinha algum valor devido à história de sua origem. Antônio Biá, único adulto alfabetizado do local, é incumbido da tarefa de ouvir as narrativas e produzir um “relatório científico”. Em meio aos diferentes depoimentos sobre a origem do local, desenrola-se a trama do filme, na qual não faltam referências aos mitos de “criação” regionais, nacionais e universais. [METODOLOGIA] Levantamos a descrição de alguns símbolos e referências bíblicas mobilizadas pelo enredo do filme, como por exemplos sino, São Jorge, água, Moisés, terra prometida, além de referências a mitos indígenas e universais. Para relatar o modo como o filme representa a história oral e como constrói sua significação, analisamos o conjunto dos elementos simbólicos encontrados na obra, com o auxílio de bibliografia apropriada. [RESUTADOS/DISCUSSÃO] O enredo destaca o prazer do povo em contar causos e mostra que a memória subjetiva seleciona o que deve ser lembrado e esquecido, ou seja, a história é construída por interesses pessoais. No filme, as personagens masculinas apontam Indalécio como o herói que guiou seu povo à terra prometida, já as personagens do sexo feminino dão igual importância à Maria Dina. [CONCLUSÃO] Um dos aspectos a ser ressaltado no filme é que o único capacitado a escrever possui bem mais talento do que caráter, o que pode gerar discussão no sentido de que, mesmo em documentos oficiais, o fato de um indivíduo estar por traz do registro deveria tornar igual o ceticismo em relação à oralidade e à escrita. Tanto a história oral quanto a baseada na escrita estão sujeitas à subjetividade e aos interesses típicos da natureza humana.

Veja relatório completo no link abaixo:
BAIXAR / IMPRIMIR: GUIMARÃES, Artur Gabriel Ferreira – O mito da cosmogonia em Narradores de Javé

O “tornar-se adulto” na literatura juvenil

Comunicação apresentada no XXI Encontro Nacional da ANPOLL – Domínios do saber: história, instituições, práticas. PUC-SP (2006).

Ver slides: O “tornar-se adulto” na Literatura Juvenil – Anpoll

Site da ANPOLL:  http://www.anpoll.org.br/portal/

Amoralismo do conto maravilhoso

Segundo Wladimir Propp[1], pode-se discriminar o conto maravilhoso como o gênero que começa por um dano ou um prejuízo causado a alguém, ou pelo desejo de possuir algo, que se desenvolve da seguinte maneira:

“[...] partida do herói, encontro com o doador que lhe dá um recurso mágico ou um auxiliar mágico munido do qual poderá encontrar o objeto procurado. Seguem-se: o duelo com o adversário (cuja forma mais importante é o combate com o dragão), o retorno e a perseguição. Freqüentemente essa composição torna-se mais complexa. Quando o herói se aproxima de casa, seus irmãos lançam-no em um precipício. Mas ele consegue retornar, passa por uma provação cumprindo tarefas difíceis, torna-se rei e se casa, em seu reino ou no do sogro.”

Ao pesquisar as raízes históricas desse gênero literário, o autor parte de quatro premissas básicas. A primeira diz respeito ao fato de que nenhum conto maravilhoso pode ser estudado sozinho. Em segundo lugar, qualquer que seja o motivo do conto maravilhoso em estudo, este deve ser relacionado com o conjunto do conto. Isto porque o conto maravilhoso é compreendido como uma totalidade em que todos os assuntos estão ligados e condicionados entre si. A terceira premissa decorre da constatação de que a origem do conto não está ligada aos meios econômicos de produção praticados no início do século XIX, quando se começou a registrá-lo. Por essa razão, deve-se confrontar o conto com a realidade histórica do passado e ali procurar suas raízes.

A expressão passado histórico é compreendida, neste caso, como referente não à técnica de produção, mas sim ao regime social que corresponde a ela. Isto porque, conforme diz o autor: “o conto conservou vestígios de organizações sociais hoje desaparecidas, precisamos [pois] estudar tais resquícios e esse estudo esclarecerá as fontes de muitos motivos do conto”.[2]

O autor leva ainda em consideração a hipótese de existir uma relação entre o conto, a religião e toda a esfera dos cultos. A partir dessa hipótese, Propp defende a necessidade de confrontar o conto com os ritos e os costumes, a fim de determinar a qual rito remonta tal motivo e quais relações rito e motivo mantêm entre si. Essa tarefa caracteriza-se como a quarta premissa a ser levada em consideração no estudo das raízes históricas do conto maravilhoso.

Diante do exposto, pode-se afirmar com segurança que o gênero literário aqui tratado nada tem de didatismo ou moralismo, como muitos creem. Essa visão, em nosso entender, está associada a um tipo de leitura que relaciona os motivos do conto à base econômica de produção criada a partir da Revolução da Industrial, e que de certo modo ainda influencia a sociedade atual, esquecendo-se de que o verdadeiro conto maravilhoso, como o demonstra Propp, é muito mais antigo do que o capitalismo e do que o próprio feudalismo. Seus motivos, portanto, não podem ser compreendidos à luz dos valores morais da atualidade.


[1] PROPP, Vladimir.  As raízes históricas do conto maravilhoso 2.ed., São Paulo, Martins Fontes, 2002, p. 4.

[2] Id. Ibidem. , p. 9.

SALVAR / IMPRIMIR: Amoralismo do conto maravilhoso