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Semiótica

O pensamento filosófico de Charles Sanders Peirce é organizado em um sistema de tríades que se desdobram continuamente. As bases desse sistema são a Fenomenologia, as Ciências Normativas e a Metafísica. A fenomenologia trata de descrever, compreender e interpretar os fenômenos que se apresentam à percepção. As ciências normativas são assim chamadas porque se ocupam de estudar ideais, valores e normas. Já a metafísica visa tratar o ser enquanto ser, ou seja, aquilo é pressuposto por todas as outras partes do sistema, na medida em que examina os princípios e causas primeiras.

Ao se debruçar sobre o estudo dos fenômenos, Peirce chega à conclusão de que tudo que aparece à consciência, assim o faz gradualmente na seqüência de três propriedades. São elas: primeiridade, secundidade, terceiridade. A primeira corresponde ao acaso e a tudo que estiver relacionado com qualidade, possibilidade, sentimento. A segunda refere-se a existentes reais e relaciona-se com ação e reação. A terceira diz respeito à mediação ou processo, continuidade, inteligência. A Semiótica ou Lógica vem a ser uma das subdivisões das ciências normativas. As outras duas são Estética e Ética.

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Charles Sanders Peirce

Charles Sanders Peirce nasceu em Cambridge, Massachusetts, no dia 10 de setembro de 1839, de uma família intelectual (seu pai, Benjamin, era professor de matemática em Harvard). Formou-se em física, matemática e química e, por mais de 30 anos, desenvolveu trabalhos em astronomia e dedicou-se a pesquisas geodésicas para o United States Coast Survey. Durante cinco anos (1879 a 1884), atuou também como conferencista de tempo parcial à lógica na Johns Hopkins University.

Essas qualificações e experiências não chegam de fato a transmitir a erudição clássica que transparece nos escritos de Peirce. Ele não só traduziu o hoje familiar termo “semiótica” do grego antigo, como também foi estudioso de Hegel e Kant, de quem estudou profundamente a Crítica da razão pura. Além disso, transformou-se num contundente defensor da lógica filosófica.

Conhecido como fundador dessa ciência a que chamamos Semiótica, Peirce considerava suas teorias – sua obra sobre signos – como inseparáveis de seu trabalho sobre lógica. Segundo ele, os signos estão conectados à lógica porque signos são os veículos do pensamento assim como o é a articulação de forma lógica. Embora tenha publicado mais de 90 mil páginas impressas, Peirce jamais publicou um livro técnico de fôlego sobre qualquer de seus assuntos favoritos.

Na teoria peirceana, um signo propriamente dito é uma instância da Primeiridade; seu objeto é uma instância da Secundidade, e o interpretante – o elemento mediador – uma instância de Terceiridade. Segundo Santaella[1], essas “três categorias irão para o que poderíamos chamar três modalidades possíveis de apreensão de todo e qualquer fenômeno”.

A primeiridade trata-se de uma consciência passiva, livre de qualquer esforço de comparação interpretação ou análise, ou seja, é aquilo que ainda é possibilidade de ser. Qualquer sensação com relação a um determinado fenômeno já pode ser considerada como secundidade. Em outros termos, a secundidade pode ser entendida como agir, reagir, interagir, mas não deve ser confundida com o pensamento, que já é uma mediação interpretativa entre o homem e os fenômenos, portanto, uma terceiridade.

Para Peirce, o homem só conhece o mundo porque, de alguma forma, o representa e só interpreta essa representação numa outra representação. De acordo com Santaella[2], para “conhecer e se conhecer o homem se faz signo e só interpreta esses signos traduzindo-os em outros signos”.

Referências bibliográficas

LECHTE, John. Cinquenta pensadores contemporâneos essenciais: do estruturalismo à pós-modernidade. 2ed., Rio de Janeiro, DIFEL, 2002.

PEIRCE, Charles Sanders. Escritos coligidos. Seleção de Armando Mora D´Oliveira. Trad. Oliveira e Sérgio Pomerangblum. In: Os pensadores. São Paulo, Abril Cultural, 1983.

SANTAELLA, Lúcia. O que é semiótica. São Paulo, Brasilisense, 2004.


[1] SANTAELLA, Lúcia. O que é semiótica. São Paulo, Brasilisense, 2004, p.42.

[2] Ibidem, p.52

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