Livros publicados

São Paulo, Paulinas, 2012, 198p.

A alquimia do “adultescer”

Por Maria Zilda da Cunha

Este livro de Sérsi Bardari oferece novos horizontes de reflexão acerca das relações entre o jovem leitor e a Literatura Infantil e Juvenil, trazendo contribuições fundamentais a pais, professores, educadores em geral, sobre o modo como a literatura pode refletir no processo de individuação, na formação da subjetividade das crianças e, em especial, dos jovens no processo de desenvolvimento.
Colocam-se questões importantes nem sempre pensadas do ponto de vista da produção cultural destinada à juventude. Haveria relação entre o processo de amadurecimento do jovem na passagem da adolescência para a fase adulta e o mito do herói, enquanto estrutura narrativa simbólica? Qual a implicação desse conhecimento? Do ponto de vista da natureza psíquica, a conquista da maturidade é processo universal? Altera-se em cada cultura? Ocorre de modo diferente em cada época?
Abarcando o âmbito da complexidade desses aspectos, o pesquisador empreende um estudo comparativo entre diversas obras da produção literária em língua portuguesa da contemporaneidade. Para tanto, recorre às invariantes do conto maravilhoso, estudadas por W. Propp.
Fundamentado nos estudos que buscam as relações do homem com seus símbolos, referendados em especial por Bruno Bettelheim, G. Jung, Von Franz, Nelly Novaes Coelho, entre outros, o autor modela conceitos, alinhavando-os em suas análises, e acaba por demonstrar como a literatura se configura como um portal para a redescoberta da aventura existencial humana, na busca de verdades ocultas, de algo que se embrenhou nos meandros labirínticos do imaginário e que convive com os segredos de novas ascensões simbólicas. Processo alquímico – como sangue que renova a carnadura humana e os processos de crescimento e maturação da psiquê.
Esta obra inaugura uma importante reflexão sobre o tema. Salienta-se a essencialidade desse estudo no contexto da complexidade do mundo contemporâneo e seus desafios. Seguramente, este trabalho, de perspectiva interdisciplinar, configura-se como uma leitura fundamental a todos aqueles cujo compromisso político e social primeiro está na formação da criança e do jovem. Esse olhar sensível, inovador e reflexivo para o literário e o estético das obras destinadas às crianças e aos jovens extrapola, sem dúvida, uma incursão teórica e meras análises, acessa a responsabilidade de procurar levar avante o projeto humano do homem.
A alquimia do “adultescer”: a literatura para juventude como rito de passagem é ainda uma obra que fornece preciosos instrumentais para balizar a seleção, análise de obras destinadas a crianças e jovens, por conseguinte, oferece subsídios para se pensar processos de mediação de leitura. Ao fim e ao cabo, constitui para o leitor brasileiro um importante instrumento para a análise e a compreensão da produção editorial da Literatura Infantil e Juvenil contemporânea de língua portuguesa. Fruto de uma investigação realizada no âmbito dos Estudos Comparados de Língua Portuguesa, fornece possibilidades de olhares renovados para os laços complexos de parentesco que se fazem entre as literaturas do Brasil e de Portugal.

Ilustrações Mirella Spinelli. São Paulo, Cortez, 2009.

Crisântemo amarelo

Em uma chácara de veraneio nas redondezas de Sabaúna, região de Mogi das Cruzes, no Estado de São Paulo, vive Rita Wittenberg, filha dos caseiros da propriedade.
Longe do vilarejo e às voltas com o pai doente, a garota luta com dificuldades para conseguir estudar, já que a mãe trabalha fora e larga parte dos serviços da casa e do sítio para a filha fazer.
Um dia, no entanto, o que parecia simples fatalidade revela-se o começo de novas perspectivas. Apaixonada por crisântemos amarelos, Rita jamais poderia imaginar que uma singela flor viesse a se tornar símbolo de seu desenvolvimento e a abrir portas para um fututo repleto de possibilidades.
Por meio do enredo, o leitor acompanha o rito de passagem da protagonista,  em contexto cultural no qual convivem descendentes de imigrantes de diversas nacionalidades: alemães, italianos, japoneses, árabes, espanhóis.

Ilustrações Simone Matias. São Paulo, Cortez, 2008.

Geleia de amora

Renata, Adriano e os irmãos Tatiana e Fernando moram no mesmo edifício: o condomínio Fonte Limpa.
Certa manhã, ao acordar, Adriano olhou pela janela do apartamento e teve uma desagradável surpresa.
Imediatamente, o menino convocou os amigos.  Quem havia feito aquilo?
Era o que eles queriam saber. Mas ninguém tinha visto nada.
“Vamos descobrir!”, propõe Renata, logo contando com a aprovação de todos.
Começa então uma verdadeira investigação, durante a qual não faltam supeitos, pistas falsas e mensagens cifradas.
Narrativa de suspense em que a consciência ambiental impulsiona as ações de pré-adolescentes tipicamente urbanos.

Ilustrações Daniel Muñoz. 6.ed., 12.imp., São Paulo, Ática, 2010.

A maldição do tesouro do faraó

Será que a maldição dos faraós caiu sobre Péricles e seus filhos, Ciro e Roxana, naquela viagem ao Egito?
O que são as misteriosas visões que o menino tem diante do túmulo de Khonsu?
Por que todas as pistas apontam para o pai, no caso do roubo da coroa de Tutancâmon?
Ao resolver cobrir o caso, a jornalista Laís não podia imaginar que estava tirando o passaporte para uma aventura extraordinária.
Ao acompanhar os perigosos passos de quatro brasileiros no país das pirâmides, o leitor descobre os mistérios de uma civilização milenar.

Ilustrações Edgard Rodrigues de Souza. São Paulo, Ática, 2003.

O segredo dos sinais mágicos

Que relação podem ter os orixás africanos com a História de Portugal?
Quando Janaína e Jorge conseguirem responder a essa pergunta, estarão prestes a encontrar um fabuloso tesouro, de que lhes falou o velho Vicente, avô de Jorge.
Mas os dois não podem imaginar que há mais gente seguindo essas mesmas pistas…
Ao percorrer o enredo, o leitor vive uma aventura emocionante, que reúne o sobrenatural e a realidade, acompanhando as investigações dessa simpática dupla, para decifrar – em terras portuguesas – o segredo dos sinais mágicos.

Ilustrações Neide Nakazato. 9.ed., São Paulo, FTD, 1997.

A fábrica de fazer pano

Os fios no tear fazem ziguezague, formando tramas coloridas e irresistíveis para os olhos de um menino.
A fábrica de fazer pano é, para a imaginação do garoto, um universo de sonhos e fantasias que, nas horas vagas, se transforma em cenário real de brincadeiras.
Mas, por causa de um descuido, a família de Zé Maria é despejada da tecelagem onde mora.
Rapidamente, a vida desembaraça fios e trama novos e curiosos caminhos para o destino das personagens.

Ilustrações Bilau & Salatiel. 2.ed. 1.reimp., São Paulo, Ática, 2006.

Ameaça nas trilhas do Tarô

Será possível prever o futuro pela leitura das cartas do Tarô?
Carolina resolveu experimentar e…
Muitas ameaças se anuncaram para ela e seus amigos, Fátima, que não conseguia amar de verdade, e Fabrício, que não decidia comquem  iria morar após a separação dos pais.
Carolina será capaz de compreender a mensagem dos misteriosos arcanos para poder evitar o perigo, ajudando seus companheiros e a si mesma?
Para saber, só mesmo mergulhando nos segredos desse universo místico, juntamente com um grupo de jovens estudantes que descobriu um baralho muito antigo e mágico.

Ilustrações Marcus Vinícius Queiroz. Belo Horizonte, Lê, 1993.

Três vidas, três amores

O que leva Gustavo a procurar a doutora Verônica Henderson, especialista em terapia de vidas passadas?
Será possível resolver dessa maneira conflitos emocionais inexplicáveis, ligados a um triângulo amoroso, cujas outras pontas são Joana e Ronaldo?
Qual a mensagem das pinturas que nos leva a um mergulho na arte renascentista e no modernismo brasileiro?
Um tema delicado – a possibilidade de outras vidas – é tratado com bastante sutileza nesta trama, em que o inexplicável intervem no cotidiano das pessoas.

Ilustrações Lila Figueiredo. São Paulo, Ed. do Brasil, 1988.

Cibele do circo

Solitária, pobre, muito acima do peso, poderia Cibele imaginar-se sob as luzes  do picadeiro?
Pois era com isso que a vendedora ambulante de café sonhava, sem a menor esperança de que o sonho pudesse tornar-se realidade.
Mas o acaso resolveu dar uma força. Em um dia de intensos trovões e tempestade, Cibele chegou ao circo, apenas para se abrigar.
Muita coisa, no entanto,  ainda estava por acontecer até a noite de sua estreia como equilibrista.

Ilustração Mario Vale. São Paulo, Ed. do Brasil, 1988.

Diário de classe

Abandonado por Marta, que volta para a casa dos pais, o personagem central da história é  professor.
Em passeio com o alunos, conhece uma professora que levava os alunos dela à mesma excursão. Os dois marcam encontro em uma danceteria no bairro paulistano do Bom Retiro.
Sem encontrar a pessoa que procurava, o professor sai pelo bairro e esbarra no próprio passado, pois ali tinha vivido a infância.
Em paralelo com as memórias pessoais, ele vai, de modo fragmentário, reconstituindo cenas da vida brasileira na última metáde do século XX: mudanças de hábitos, trazidas pela então recente industrialização, que revoluciona a vida da classe média; mudanças políticas, que se refletem na vida de todos, com a instalação do regime militar.
Nesse caledoscópio de desencontros, coletivos e pessoais; no contexto válido para uma geração e significativo de um momento histórico, o personagem pode voltar à vida normal. E a um surpreendente reencontro com Marta.

Ilustrações Alcy. São Paulo, Brasiliense, 1983.

O cigano de Itaparica

Cássio não queria virar gente grande, usar gravata, trabalhar o dia todo.
Nem aguentava mais o colégio, os ditados, a professora autoritária.
Foi então que ele disse tchau para as amarras da sociedade e saiu para descobrir a vida, as pessoas e a si mesmo. Conhecimentos que ele não obteria na escola.

Prêmio Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA) 1984, na categoria autor revelação de literatura juvenil.