A mulher do lado

CINEMA

A mulher do lado

Título Original: La Femme d’à Côte
País de Origem:
França
Ano: 1981
Duração: 106 minutos
Diretor: François Truffaut
Elenco: Fanny Ardant, Gerard Depardieu, Henri Garcin, Michèle Baumgart

Fanny Ardant, a estrela de “A Mulher do Lado” (La Femme d´à Côté), já havia aparecido em alguns programas de televisão, quando Francois Truffaut se apaixonou por ela e a lançou para o mundo do cinema, em 1981. Penúltimo trabalho do diretor, o filme aborda a paixão e o desejo levados às últimas consequências. A trama é simples. Na pequena cidade de Grenoble, sudeste da França, Bernard Coudray (Gérard Depardieu) é casado com a jovem e bonita Arlette (Michèlle Baumgartner), com quem tem um filho, Thomas (Olivier Becquaert), e uma vida feliz. Até que um dia, na casa ao lado da família, vem morar Mathilde (Fanny Ardant), com quem Bernard tinha tido um caso, e que estava casada agora com Philippe Bauchard (Henri Garcin).

A convivência entre os casais torna-se inevitável. Bernard e Mathilde tentam fingir que não se conhecem. Mas a paixão renasce entre eles, sem que Arlette e Philippe percebessem de início. Os ex-amantes passam a se reencontrar, escondidos. E o que parecia ser um simples ajuste de contas do passado toma proporções não imaginadas. Bernard perde o controle em meio a uma festa. O caso torna-se público e repercute de modo inesperado.

Mas não é no enredo que está a melhor qualidade do filme, e sim no modo como François Truffaut o desenvolve. A história é narrada pela presidente do clube de tênis da cidade (Véronique Silver). Ela mesma marcada por uma paixão do passado. Esse é o ponto de partida para o diretor conduzir a trama de maneira arrebatadora. Apesar da tensão que envolve as personagens, elas se comportam com leveza. Pelo menos socialmente. Na intimidade, deixam a atração aflorar. Fanny Ardant e Gèrard Depardieu, jovens, atraentes, bonitos e elegantes, esbanjam talento e sensualidade. “A Mulher do Lado” marcava o início de brilhante carreira cinematográfica para os dois.

Depois desse, François Truffaut fez apenas um filme: “De Repente, Num Domingo (Vivement Dimanche). Morreu em 1984, vítima de um tumor cerebral.

Um dos pais da Nouvelle Vague

François Truffaut é considerado um dos maiores diretores de cinema do século 20. É um dos fundadores do movimento Nouvelle Vague. Nas mais de duas dezenas de filmes, várias das quais produziu, roteirizou e dirigiu, o cineasta retrata a paixão, as mulheres e a infância. Conquistou crítica e plateias com produções como “Os Incompreendidos”, “Uma Mulher para Dois”, “Fahrenheit 451”, “A História de Adele H.”, “A Noite Americana” – Oscar de melhor filme estrangeiro em 1973 –, entre outras.

Truffaut ficou famoso no início dos anos 1950, especialmente pelas críticas contundentes que publicava na revista “Cahiers du cinema”, contra o cinema convencional e comercial. Motivos de várias polêmicas entre o meio cinematográfico foi também a divulgação da “Politique des auteurs” (teoria autoral), segundo a qual o crítico defendia a realização de um cinema de autor, com produção intimista de baixo custo.

A mesma paixão revelada nos artigos aparecerá ainda no cinema e na vida do diretor, ambos intimamente relacionados. Desde o primeiro grande sucesso com “Os incompreendidos”, François Truffaut havia criado Antoine Doinel, personagem que surge pela primeira vez com 14 anos de idade, e aparecerá em vários outros filmes, como alter-ego do cineasta, sempre interpretado por Jean-Pierre Leaud.

Ao casar com Madeleine Morgenstern, filha de um rico distribuidor, o diretor conseguiu independência financeira e artística. O casamento, no entanto, não duraria muito. Depois de um rápido caso com uma garota de 17 anos, Truffaut assumiu publicamente a relação amorosa com a atriz Jeanne Moreau, então casada com o famoso estilista Pierre Cardin. A última mulher do cineasta foi Fanny Ardant, atriz homenageada da 33ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em 2009.

Assista a documentário sobre François Truffaut e os 50 anos da Nouvelle Vague

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Texto originalmente publicado no site da revista Zás:

http://www.revistazas.com.br/

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